quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

madrugada afora
fora o fato
silencio
há no mundo que mora
a boca que cala o medo
contra a solidão o segredo
e se há no desejo o meio
de alojar-se fora
do tempo previsto
da história que rola
em cascastas e dobras
observa
o mundo não é cor de rosa

sábado, 8 de outubro de 2011

deixe passar a ingratidão
ela mora na casa do medo
reside sozinha
vizinha a escuridão
ela e meia dúzia de cães chucros
que desfilam impafiosos ao meio dia

deixe passar a ignorância
ela não sabe por onde anda
mesmo que tenha certezas mas não as garanta

não ignore o erro
não será possível ver diretamente quem os acompanha
mas se seguir seus movimentos
pode ser que os passos revelem
debaixo do manto
cambaleantes
aqueles que o sustenta
podem ser numerosos e irreconhecíveis
porque andam em blocos
em máscaras que os cobrem invisíveis

não ignore o erro
nele está o acerto
nele está a resposta
que tanto procura
nos mudos ingratos
e também a certeza dos ignorantes


mas sobretudo
nunca substime o sonho
que normalmente anda sozinho
parece frágil e arredio
bradando em praças
ou tímido falando aos ouvidos
palavras incompreensíveis
reconheça o sonho
na rua
nas esquinas da sua própria vida
ele quer companhia
mas não oferece garantias
carrega com afinco
uma imagem que figura paisagem
feita de um risco quase ilegível
é preciso ler nas entrelinhas
o sonho insone pode ser visto todos os dias
nisso ele se diferencia
ao contrário da ignorância
é amigo do erro
não anda em matilhas
não se avizinha do medo
e não segue a esmo
um caminho vazio

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

tenho um par de pedras castanhas
como algo que me sustenta
não posso ficar refém delas
nem suspendê-las em definitivo

tenho um par de castanholas
que mexem elegantes
direcionadas ao meu corpo que se mexe
não sei exatamente o que me dizem
dançam sob o foco de suas matizes
brilhantes

Danço castanholas
como uma cigana
que vai ao encontro
do que a convida

a vida
é mais que música e dança
tem ainda sapatilhas
plátanos
soam odor madeira seca no caminho madrugada fresca
como pontas dos pinhos arvoredos
soam novidades
lua cheia sobre o rio pleno
soa saudade
não posso aportá-los - todos
prendo - compreendo inteiros pelas ruas que passo
ruas jardins
ruas espaços vazios
ruas cafés
ruas silêncio
ruas barulho de gente
cada lugar tem o seu sentido
alguns olfato
outros oLvido
amo cada chão que piso
e se o tempo é relativo
despertar física poesia
é voar sem asas
cheirar flores sem pétalas
e navegar concreto
contraponto de partida

quinta-feira, 16 de junho de 2011

vontade de sorrir - rio
vontade de chorar - deságuo
comungo ciclos atemporais
em gestos luminosos
pulso
vibro
vivo
músculos distendidos
opero rodopios
círculos invisíveis
não suporto apatia

pedra respira líquens e musgos
aço calor adrenalina

sábado, 7 de maio de 2011

o dia passa rápido sob o céu azul que cintila
carros correm mais aos olhos da janela
no sussuro
à distância
escuto boca lábios carmim
mulher menina vizinha
reconheço os habitantes da cidade
navegadores perdidos e náufragos
partilham caminhos

ao deitar da tarde
no ruído de vento
tudo deságua no mar
onde ainda habitam velhos marinheiros
onde serenam peixes homens e amantes

o mundo é cheio e o silêncio fala o bastante
ao amor
falta linguagem
escapa o verbo no arroubamento do instante
e no gozo de outra ordem - metáfora
se indizível deve
ao inexplicável faço morada
no corpo em transe repousa olhar
que ao querer dizer se cala
enquanto pede colo
em coma anestesia
cogito
respiro e penso que existo